Muitos golpes de compra online deixam sinais visíveis antes do pagamento. O problema é que, com pressa ou empolgado com o preço, a gente não olha. Este checklist leva uns 2 minutos e ajuda a identificar os sinais mais comuns de site falso, perfil falso e cobrança de mentira. No fim, veja o que fazer se já pagou.
Qual é o checklist de 2 minutos antes de pagar?
São seis perguntas rápidas. Se alguma der errado, pare e investigue antes de pagar.
- O endereço é mesmo o da loja? Olhe a barra do navegador, letra por letra.
- O CNPJ existe e está ativo? Consulte de graça no site da Receita Federal.
- A loja tem reputação? Procure o nome no Reclame Aqui e no consumidor.gov.br.
- O preço faz sentido? Muito abaixo de todas as outras lojas é sinal de alerta.
- Quem recebe o pagamento? No Pix e no boleto, o nome do recebedor tem que bater com a empresa.
- Dá para contestar se der errado? Cartão de crédito, de preferência virtual, permite contestar a cobrança. Pix e boleto são mais difíceis de reverter.
Como saber se o endereço do site é verdadeiro?
Confira o domínio inteiro, não só o logotipo. Site clonado copia o visual da loja, mas o endereço denuncia: letras trocadas, hífen a mais, palavra extra ("loja-oficial", "promo", "outlet") ou final diferente do que a loja usa.
O jeito mais seguro é digitar o endereço da loja você mesmo ou usar o app oficial. A Senacon recomenda conferir se o site tem ambiente seguro, com o cadeado ao lado do endereço. Mas lembre que cadeado só mostra que a conexão é criptografada: site falso também pode ter.
Como consultar o CNPJ de uma loja na Receita Federal?
Procure o CNPJ no rodapé do site e consulte no serviço gratuito "Consultar CNPJ", no gov.br. Pelo Decreto 7.962/2013, a loja online precisa mostrar em destaque o nome empresarial e o CNPJ (ou CPF), além do endereço físico e eletrônico.
Na consulta, confira três coisas: se a situação cadastral está ativa, se o nome bate com o da loja e se a atividade tem relação com o que ela vende. Loja que não mostra CNPJ nenhum, ou mostra um que pertence a outro ramo, já é motivo para desistir. A Senacon também orienta desconfiar de loja sem endereço físico.
Como checar a reputação da loja?
Pesquise o nome da loja e o CNPJ no Reclame Aqui e no consumidor.gov.br, a plataforma pública da Senacon. Olhe menos a nota e mais o padrão das reclamações: "paguei e não recebi", "site sumiu" e "não consigo contato" são os sinais de golpe.
Loja sem nenhuma reclamação nem histórico, aberta há poucas semanas e com preço muito baixo, merece cuidado redobrado.
Preço bom demais é sinal de golpe?
Muitas vezes, sim. A Senacon alerta que preço muito abaixo da média pode indicar fraude ou produto falsificado. Compare o mesmo produto em duas ou três lojas conhecidas antes de pagar.
Uma oferta real costuma ficar perto do menor preço do mercado, não pela metade dele. No Promômetro, cada oferta mostra o histórico de preço e uma nota de 0 a 100 justamente para separar desconto real de preço inventado. O método está em como funciona, e o passo a passo para conferir qualquer desconto, no guia como saber se a promoção é real.
Por que desconfiar de Pix para pessoa física?
Porque o Pix cai na hora e é difícil de reverter. A Senacon alerta que criminosos costumam preferir Pix, boleto e transferência, porque esses meios dificultam o reembolso em caso de fraude, e recomenda priorizar o cartão de crédito.
Antes de confirmar, leia o nome de quem vai receber, como recomenda o próprio Banco Central. Se a loja é uma empresa e o Pix vai para o nome de uma pessoa, ou de uma empresa com outro nome, não pague. Vale o mesmo quando o vendedor pede para pagar "por fora", fora do site ou do marketplace.
Como identificar um boleto falso?
Confira o nome do beneficiário que aparece no app do banco antes de confirmar o pagamento. Ele precisa ser a loja (ou o intermediador de pagamento que ela usa no checkout), não uma pessoa ou empresa desconhecida.
Gere o boleto sempre dentro do site ou do app oficial da loja, no momento da compra. Boleto recebido por e-mail, WhatsApp ou SMS sem você ter pedido, com "desconto especial" ou "segunda via urgente", é golpe até prova em contrário.
Como reconhecer link falso por WhatsApp, SMS ou e-mail?
Não clique: entre na loja pelo app ou digitando o endereço. Link recebido por e-mail, SMS ou WhatsApp pode levar a uma página falsa com o visual da loja, feita para capturar seus dados ou cobrar por algo que não existe.
Os sinais mais comuns de phishing são urgência ("sua compra será cancelada em 1 hora"), prêmio ou cupom que você não pediu, pedido de senha ou código e endereço encurtado ou estranho.
Como fugir de perfis falsos no Instagram e em outras redes?
Compre pelo site ou pelo app oficial, não pela conversa no direct. Perfil falso copia foto, nome e até postagens da loja verdadeira e usa anúncio pago para aparecer no seu feed.
Confira se o perfil é o mesmo que aparece no site oficial da loja, se tem histórico de postagens antigo e se o link da bio leva ao domínio certo. A Receita Federal descreve esse golpe: o comprador é atraído por um anúncio para um site de vendas falso.
O que é o golpe da taxa de entrega?
É a mensagem que diz que sua encomenda está retida e cobra uma taxa para liberar. Os Correios alertam para mensagens falsas por SMS, e-mail e WhatsApp que levam a páginas com a marca da empresa e cobram taxas fictícias.
A Receita Federal afirma que não existe "taxa de reenvio" ou "taxa de liberação" depois da compra e que nem ela, nem as lojas, nem os Correios mandam mensagem com link para cobrar a liberação de encomenda. Cobrança de imposto por Pix, QR Code, depósito ou transferência é motivo para desconfiar. Confira a situação da encomenda no "Minhas Importações", no site ou no app oficial dos Correios. As regras de imposto estão no guia impostos em compras internacionais.
Quais proteções ligar antes de comprar?
Duas valem mais que qualquer dica: cartão virtual e verificação em duas etapas.
| Proteção | O que faz | Onde ativar |
|---|---|---|
| Cartão virtual | Número diferente do cartão físico, que você pode apagar ou trocar depois da compra | App do banco ou do cartão |
| Verificação em duas etapas | Pede um segundo código além da senha para entrar na conta | Configurações de segurança da loja, do e-mail e do WhatsApp |
| Alerta de compra | Avisa no celular a cada gasto no cartão | App do banco |
| Pagamento pela plataforma | Mantém a proteção do marketplace em caso de problema | No checkout do próprio site |
A Senacon recomenda priorizar o cartão de crédito, porque ele permite contestar cobranças indevidas, e preferir meios de pagamento com etapa extra de verificação.
O que fazer se você caiu em golpe?
Aja no mesmo dia, nesta ordem. Quanto mais rápido, maior a chance de o dinheiro ainda estar na conta do golpista.
- Banco ou cartão. Ligue ou use o app. No cartão, peça a contestação da compra e o bloqueio. Se passou dados ou senha, troque as senhas e bloqueie o que for preciso.
- MED do Pix. Se pagou por Pix, abra a contestação na área Pix do app do banco (detalhes na próxima seção).
- Boletim de ocorrência. Registre na Polícia Civil. Em muitos estados dá para fazer pela delegacia online. Guarde o número.
- Provas. Salve prints do anúncio, do site, das conversas, do comprovante e do endereço da página.
- Reclamação. Se a empresa existe, reclame no consumidor.gov.br ou no Procon da sua cidade. No consumidor.gov.br, a empresa tem até 10 dias para responder.
Como funciona o MED do Pix em caso de golpe?
O MED (Mecanismo Especial de Devolução) é a regra do Banco Central que permite ao banco de quem recebeu o Pix bloquear e devolver o dinheiro quando há fundada suspeita de fraude. O pedido vale para transações de até 80 dias antes da contestação.
Para pessoa física, os bancos precisam oferecer a contestação dentro da área Pix do app: você escolhe a transação no extrato ou abre a própria transação e contesta dali. O guia do Banco Central inclui no MED a compra em que o golpista não envia o produto ou envia algo totalmente diferente. Na versão atual, que o Procon-SP chama de MED 2.0, o pedido também rastreia as contas para onde o dinheiro foi repassado.
Se a compra não foi golpe, mas a loja não cumpriu o combinado, o caminho é outro: Procon, consumidor.gov.br e, nas compras online, o direito de arrependimento em 7 dias.